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PERFIL DJAN MADRUGA

TRAJETÓRIA ESPORTIVA

Prodígio precoce, Djan Madruga foi um dos maiores nadadores da história do Brasil, e talvez o mais versátil. Começou a nadar aos seis anos, em 1964, após quase morrer afogado na praia de Copacabana, sendo por isso matriculado pelos seus pais na escola de natação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Urca. Lá seu talento foi logo identificado e encaminhado ao Botafogo, onde iniciou nas competições federadas do Rio de Janeiro, já se destacando com várias vitórias nas divisões de base. Após um período de estagnação, transferiu-se para o Fluminense com 13 anos, em 1971.

A partir de março de 1974, com 15 anos de idade recém-feitos, passou a dominar as provas de fundo no continente. Em agosto de 1974, depois de uma competição em Ottawa, no Canadá, ele se tornou o recordista sul-americano dos 400 metros, 800 metros e 1500 metros livre. Em abril de 1975, quebrou a barreira dos 16 minutos nos 1500 metros, na Copa Latina em Las Palmas. Aos 16 anos já era recordista sul-americano dos 200 metros, 400 metros, 800 metros e 1500 metros livre. É o único nadador brasileiro a deter recordes simultâneos em todas as distâncias do nado livre dos 100 aos 1500 metros, feito ocorrido em 1979.

Chegou a cinco finais de Jogos Olímpicos: nos Jogos Olímpicos de Verão de 1976 em Montreal, ficou em quarto lugar nos 400 metros livre (3m57s18) e nos 1500 metros livre (15m19s84); nos Jogos Olímpicos de Verão de 1980 em Moscou, ficou em quarto lugar nos 400 metros livres (3m54s15), quinto lugar nos 400 metros medley (4m26s81) e ganhou a medalha de bronze no revezamento 4 x 200 metros livre (7m29s30), ao lado de Jorge Fernandes, Marcus Mattioli e Cyro Delgado.

Nas eliminatórias dos 400 metros livre em Montreal 1976, Djan Madruga foi o primeiro brasileiro a bater um recorde olímpico na natação, sendo o primeiro nadador do mundo a baixar de 4 minutos na referida prova em Olimpíadas, com o tempo de 3m59s62.

Djan Madruga foi o primeiro sul-americano a fazer os 1500 metros livre abaixo de 16 minutos (em 1975), os 800 metros livre abaixo de 8 minutos (em 1980) e os 400 metros livre abaixo de 4 minutos (em 1976). Seu recorde sul-americano mais duradouro foi o dos 800 metros livre, que ele bateu em 1980, com a marca de 7m59s85, fazendo um dos melhores tempos da história da prova à época. Vladimir Salnikov, que era o recordista mundial, havia feito 7m56s49 em 1979, o primeiro tempo abaixo de 8 minutos.

Seu recorde sul-americano dos 1500 metros livre só veio a ser quebrado quase 20 anos depois, por Luiz Lima, em 1995, e o dos 800 metros livre durou 29 anos, e só foi quebrado por Luiz Rogério Arapiraca em 2009; vale ressaltar que Luiz quebrou o recorde com um traje tecnológico para natação, o maiô jaked. Assim, Djan lançou um desafio na época: quem batesse seu recorde sul-americano de 7m59s85 nos 800 metros livre usando uma simples sunga como ele fez teria uma recompensa de cinco mil dólares. Passados muitos anos sem ninguém conseguir ele encerrou o desafio.

Ao longo da carreira, também obteve onze medalhas em três Jogos Pan-Americanos diferentes.

Participou de duas Universíades, e em todas ganhou medalhas. Seu maior feito em Universíade foi ter ganho a medalha de ouro nos 400 metros medley, em 1979. Além disso, ganhou mais três medalhas de prata e quatro de bronze.

Djan encerrou sua participação internacional na seleção brasileira de natação após dez anos, na Olimpíada de Los Angeles, em 1984, competindo nos revezamentos 4 x 100 e 4 x 200 livre; nessa época nadava pelo pelo Minas Tênis Clube. Sua última competição oficial no Brasil foi pelo Vasco da Gama, no Troféu Brasil de 1986, onde conquistou uma medalha de ouro em revezamento. Foi até hoje o maior vencedor do Troféu Brasil de Natação, competição em que ganhou 50 medalhas de ouro.

Djan também foi triatleta profissional entre 1983 e 1987, conquistando os títulos de bicampeão brasileiro de média distância, vice-campeão profissional dos Estados Unidos na distância olímpica, e campeão do Triathlon Internacional de Sendai, no Japão. Também completou o Ironman do Havaí em 1984, onde bateu o recorde da etapa de natação (3,8 km), terminando em 126º entre 1500 competidores.

Em 1990 voltou a nadar como máster e ganhou, desde então, onze campeonatos mundiais da FINA, estabelecendo quatro recordes mundiais. Conquistou onze medalhas de ouro nos Jogos Mundiais Master realizados em Toronto (2005), Sydney (2009), Turim (2013) e Auckland (2017). Já ganhou seis vezes a Travessia dos Fortes, e várias vezes o Desafio Rei do Mar na sua faixa etária. Seu último recorde mundial máster foi estabelecido em 2013, no revezamento 4x200 metros livre 200 +.

ATIVIDADES APÓS A APOSENTADORIA DA NATAÇÃO

Profissionalmente iniciou sua carreira em 1977, com a ajuda do empresário Antonio Carlos de Almeida Braga, da Atlântica Boavista de Seguros, depois na Bradesco Seguros. Djan repete, sempre quando perguntado sobre esse inicio, que deve muito ao seu patrono "Braguinha", que ajudou demais os maiores atletas da sua geração, incluindo ele e seu irmão Rojer Madruga, que também foi um grande fundista, finalista em campeonato mundial (Guayaquil 1982). Djan criou depois, em 1985, a sua própria empresa, denominada Djan Madruga Empreendimentos (DME), uma agência de marketing esportivo e publicidade que, desde aquela época até o ano 2000, realizou mais de 200 ações e eventos em todo o Brasil, para 65 empresas patrocinadoras e investidoras.

Em 1998 fundou a Academia Djan Madruga, no Rio de Janeiro, um moderno centro esportivo contendo três piscinas, sendo uma semi-olímpica para adolescentes e adultos, e duas menores para bebês e crianças. Na parte térrea da academia existem salas de musculação, ginástica, ioga, dança, lutas e bike indoor. Ela já foi ranqueada pela revista Veja como uma das 20 melhores academias do Rio de Janeiro, e considerada a melhor do seu bairro na época.

Em 2001, mudou o foco da DME para terceirizar parques aquáticos de clubes e academias, passando a administrar várias piscinas no Rio de Janeiro, tendo somado nelas mais de 2.000 alunos ativos. Em 2004 ganhou a concorrência para a administração esportiva do clube e academia da Michelin, onde ministrou atividades para 800 funcionários até 2012. Realizou durante nove anos um trabalho corporativo para a C&A, onde montou uma academia e um projeto de ginástica laboral para 400 funcionários.

Djan Madruga também participou de várias atividades públicas e institucionais. Na década de 1980 foi fundador e diretor da Federação de Triathlon do RJ, presidente da União Nacional dos Nadadores e coordenador geral de esportes do Estado do Rio de Janeiro. Na década de 1990 foi diretor de marketing da Companhia de Turismo do Estado do Rio de Janeiro (Turisrio), quando participou da organização da ECO-92; entre 1998 e 2002 foi vice-presidente, durante duas gestões, da Associação Comercial e Industrial do Recreio dos Bandeirantes; em 1999 foi fundador da Associação Brasileira de Academias e seu presidente por duas gestões, entre 2003 e 2005.

Em 2007 foi nomeado secretário nacional de esportes de alto rendimento do Ministério do Esporte, onde cuidou até 2009 de vários programas esportivos, incluindo o Bolsa Atleta, que na sua gestão foi ampliado de 850 para 3.200 bolsistas. No Governo Federal criou e implementou, em 2007, o projeto “Militar Campeão”, que até hoje recruta os melhores atletas do Brasil para servirem nas Forças Armadas Brasileiras, onde podem continuar treinando e competindo pelas suas confederações, agora com remuneração profissional. Representou o Governo Federal na vitoriosa campanha para trazer a Olimpíada de 2016 para o Rio de Janeiro, ajudando no planejamento e em apresentações feitas na Suíça e na Turquia, para presidentes e delegados dos comitês olímpicos internacionais.

Depois das três Olimpíadas em que participou como atleta, esteve em missão oficial pelo Ministério do Esporte na Olimpíada e na Paraolimpíada de 2008 em Pequim; depois trabalhou na Olimpíada de 2012 em Londres, na transmissão ao vivo da natação pelo canal web do portal Terra. Com essa experiência em televisão, foi responsável pelo planejamento técnico da TVBCDA em 2012, sendo também comentarista e narrador de 12 transmissões ao vivo de campeonatos brasileiros de natação de base, até junho de 2014.

Djan atua desde 2012 na CBDA na área executiva cuidando do programa de bolsas de estudo da entidade, em parceria com a Universidade Estácio de Sá.

Em 2014 trouxe para para o Brasil o curso de capacitação de treinadores de natação da ASCA - American Swimming Coaches Association tendo realizado anualmente clinicas de graduação de profissionais nos níveis 1 a 3 de treinador e natação internacional, com isso mais de 120 técnicos brasileiros se capacitaram com o que há de mais avançado na natação norte-americana.

Em 2015 foi nomeado integrante da Comissão Nacional de Atletas, uma entidade ligada ao Conselho Nacional do Esporte (CNE), colegiado vinculado ao Ministério do Esporte para trabalho voluntário e não remunerado. Permaneceu até 2017 no grupo que tinha como principal objetivo debater e propor políticas públicas, além de funcionar como principal interlocutor entre atletas e governo federal.

EM 2016 atuou nos Jogos Olímpicos do Rio como comentarista pelo canal FOX SPORTS nas transmissões ao vivo da natação, maratonas aquáticas e triathlon.

PRINCIPAIS TÍTULOS CONQUISTADOS

  •  Medalha de bronze na Olimpíada de Moscou em 1980 nos 4x 200 livre
  •  Recordista olímpico em Montreal 1976 nos 400 livre;
  •  Vencedor da 1ª Copa do Mundo de Natação em Tokyo-1979 nos 400 livre e 200 costas;
  •  Vencedor da Universíade de 1979 no México nos 400 medley;
  •  Vencedor do Campeonato Aberto dos EUA em 1979 no Texas (Austin) nos 800 livre e 400 medley.

Feitos Notáveis

  • Foi recordista brasileiro de medalhas em Jogos Panamericanos entre todos os esportes, pois ganhou 6 medalhas na edição de 1979 em Porto Rico, esse recorde dura 26 anos;
  • Deteve o recorde mais antigo da natação sul-americana nos 800 livre, que durou 26 anos;
  • É o único nadador da história do Brasil a deter recordes simultâneos em todas as distâncias do nado livre dos 100 aos 1500 metros, aconteceu em 1979;
  • Considerado o nadador mais versátil do Brasil em todos os tempos, pois foi finalista olímpico 5 vezes e semi-finalista 1 vez nas mais diversas distâncias e estilos: 200 livre, 400 livre, 1500 livre, 400 medley e 200 costas, foi também 10º em velocidade no revezamento 4x100 livre;
  • Foi o nadador que mudou a regra brasileira de inscrições, pois obrigou a antiga  CBDA em 1978 a limitar o número de provas permitidas aos nadadores em competições oficiais, pois nesse ano no troféu Brasil ganhou 12 medalhas de ouro nas provas de 100, 200, 400 e 1500 livre, 200 costas, 200 e 400 medley, 100 e 200 de golfinho e revezamento 4x100, 4x200 livres e 4x100 estilos, os dirigentes da época acharam em exagero!
  • Foi o 1º nadador sul-americano a quebrar as seguintes barreiras
    • 1500 livre abaixo de 16 minutos em 1975;
    • 400 livre abaixo de 4 minutos em 1976;
    • 800 livre abaixo de 8 minutos em1980.
  • Foi o 1º nadador brasileiro a planejadamente treinar por várias semanas em altitude, aconteceu na cidade do México em 1982;
  • Foi o 1º nadador de fundo da história do Brasil a terminar o ano olímpico em 1º lugar no ranking mundial da Fina, aconteceu em 1980 na prova de 800 livre;
  • Além de nadador também seguiu a carreira de triatleta profissional entre 1983 e 1987, conquistando os títulos de bicampeão brasileiro de média distância, vice-campeão dos E.U.A. na distância olímpica e campeão do Triathlon Internacional Sendai no Japão, também completou o Ironman do Havaí, onde bateu o recorde da etapa de Natação (3,8Km) terminando em 126º entre 1500 competidores no ano de 1984 . Este fato se deu poucas semanas após ter competido na olimpíada de Los Angeles;
  • Em 1990, retornou as competições na categoria Máster, onde já acumulou 12 títulos mundiais, sendo que em 1990 no Mundial do Rio de Janeiro, ganhou 4 provas na categoria 30 a 34 anos. Em 1994, no Mundial de Montreal (Canadá), ganhou os 800 livre e 200 medley nesta última prova estabeleceu novo recorde mundial na categoria 34-39 anos. Em 1996 no Mundial de Sheffield (Inglaterra) ganhou os 400 medley e 200 costas na categoria 35-39 anos. Em 2004, no mundial de Riccione (Itália), ganhou os 400 medley estabelecendo novo recorde mundial na categria 45-49 anos, sendo o único nadador no mundo nessa faixa etária a nadar a distância abaixo dos 5 minutos. Em 2005  conquistou 3 medalhas de ouro nos Jogos Mundiais Máster  no Canadá , em 2005 ganhou mais 3 medalhas de ouro no Pan Americano Máster de São Paulo e conquistou o bicampeonato na travessia dos Fortes na sua faixa etária.


Sistema Djan Madruga - Tel: (21) 2490-4200
R. Desembargador Paulo Alonso, 870
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